Este foi o ano em que mais viajei e ainda tem mais por vir. Não parei para contar quantas viagens foram, mas minhas amigas não param de me lembrar isso.
Houve a época em que viajar me gerava certa aflição. A quebra da rotina, não saber como seria meu dia a dia no destino e conciliar o trabalho ao cenário novo me deixava num estado de certa insegurança.
Isso não me pega mais.
Pouco a pouco alguma coisa mudou em mim. A cada lugar diferente e a comprovação de que tudo sempre dá certo enquanto estou fora, me descobri como minha própria casa, onde quer que eu esteja, qualquer que seja o tempo fora de onde eu, tecnicamente, moro.
Quando se chega nesse entendimento de que tudo que você precisa está na sua forma de pensar e na flexibilidade para encontrar formas de viver o que deseja, não te falta nada.
Você ser a casa é finalmente entender que você tem tudo que você precisa onde quer que você esteja.
Para que isso aconteça, você precisa se encarar. Para se encarar, você precisa ter coragem. Para você ter coragem de se encarar, entender quem é e poder lidar com as coisas externas usando essa base em si mesmo, é preciso amor próprio.
Amor próprio. Algo cada vez mais mal entendido em tempos de harmonização facial e desarmonização com a paz que só o silêncio e o contato com a nossa própria presença nos traz.
Quando nos tornamos casa, sempre nos acolhemos e aí, então, podemos oferecer teto para o outro.
Se estamos bem nessa casa, o cenário externo pouco importa. Com saúde ou não, dinheiro ou não, quando somos casa, temos o que precisamos.
Ser casa é conseguir apreciar todo o externo como um extra, um bônus que a vida te dá. Moro dentro. Aprecio o que vem de fora.
E só entra aquilo que eu convidar.

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