"Que bela m3rda, mãe!". Foi a resposta do fofo para a mãe quando ela mostrou a camiseta para ele.
A peça era branca, com o logotipo de Stranger Things em preto na parte da frente. "Olha que linda essa João Pedro...".
"Tem alguma coisa atrás?".
"Não, atrás é lisa".
"Que bela m3rda, mãe!".
Nessa hora eu já teria pego a camiseta, falado que ele ia usar na festa que eu escolhesse e que ele ainda pagaria por ela, por ter falado comigo daquele jeito no meio da Riachuelo.
Em vez disso, ela respondeu que ia procurar outra e o pai, com um jeito de marmota ali se arrastando junto deles: "Filho, eu vou te levar numa loja massa, eu sei o que você está procurando!". O menino que aparentava ter uns 13 anos, saiu andando para outras araras de roupa e nem respondeu.
Gente. O que aconteceu com as mães e os pais?
Quando eles viram serviçais desses malas?
Eu vejo que colocar autoridade virou medo de frustrar. Educar virou uma negociação constante e nem sempre isso vai funcionar. Impor limite virou geração de trauma.
Além disso, vão falar que agem assim por compensação da falta de tempo para dar atenção aos filhos, sentimento de culpa etc.
Mas não tem cabimentooooo!
Eu já escrevi sobre a minha criação na crônica "Fui formado em Bete" - está no livro e no site do Caneca - e juro que não entendo essa aceitação da falta de respeito dos filhos para com seus pais.
Imagina o adulto que esse João Pedro vai ser, se ele fala assim com a mãe?
Imagina ser casado com esse tanga atolada?
Tudo bem, estou pegando pesado porque pode ser que ele melhore com o tempo. Mas quem garante? E se ficar ainda pior? rsrsrs
Como muitas das coisas que se perderam com o excesso de informação que passamos a viver, eu penso que o segredo está em voltarmos para o básico.
Não sou pai porque nunca quis ser, mas, me arrisco a dizer que respeito se ensina desde cedo e o jeito de fazer isso é mostrando as consequências do desrespeito.
Outro ponto que eu acho básico demais para que essas crianças e adolescentes aprendam um pouco mais sobre o que é fundamental na vida, é colocar o senso de responsabilidade desde cedo.
Tem gente que acha bobagem pedir para uma criança de 5 anos arrumar a própria cama toda manhã. Pois deveria colocar essa responsabilidade para os pequenos, mesmo que você tenha funcionária em casa. Ou mesmo devolver o prato na pia, avisar que vai chegar mais tarde.
A questão está, mais uma vez, no adulto que esse ser será. Por menor que seja o gesto, ele ensina uma coisa que se perde mais e mais a cada dia: a autonomia.
Arrumar a cama, preparar a sua roupa da escola para o dia seguinte e coisas do tipo, ensinam a criança a, pouco a pouco, lidar com imprevistos e se virar sozinha.
A falta disso resulta no adulto que não sabe se virar, não sabe ouvir não, não sabe sustentar escolhas e que sempre vai buscar alguém para resolver as coisas dele - e quando não der certo, a culpa é de quem não resolveu direito.

Comentários