Ninguém vai se lembrar de você



O que você sabe sobre os bisavós dos seus avós?

Puxei demais, né? Ok. E sobre os avós dos seus avós? Eu sei, no máximo, uma coisinha ou outra sobre os avós dos meus pais. Ainda assim, é pouco. Histórias que ouvi e o sobrenome que a gente carrega. História.

Em pouco tempo, eu, que ouvi tão pouco sobre eles, também não estarei aqui.


E hoje eu quero que você entenda e aceite uma verdade que, à primeira vista, parece cruel, mas é esse entendimento é um dos maiores presentes que você pode receber: em pouco tempo, ninguém vai se lembrar de você.


Mesmo que você tenha filhos, plante árvores, escreva livros, tenha empresas ou estátuas com a sua imagem. Mesmo que acredite que, de alguma forma, seu nome será perpetuado. Não vai acontecer.

Daqui a três ou quatro gerações, seremos nada. Seremos nada no passado na vida cheia de alguém que estará ocupado demais vivendo os próprios dramas.


Se isso soa depressivo para você, pega sua caneca de café e entenda que o esquecimento não é uma derrota, é o nosso alvará de soltura.


Se ninguém vai se lembrar do que fizemos daqui a cem anos, por que ainda estamos dando tanto poder ao julgamento de estranhos hoje? Por que deixamos de viver o que nos realiza, de dizer o que sentimos, de vestir o que gostamos ou beijar quem desejamos?


A gente vive como se estivesse sob um holofote eterno, quando na verdade somos apenas um brilho pequeno, rápido, em uma vida infinita que nem sempre nos inclui.


Levar a vida tão a sério é uma arrogância que nos adoece. A gente se culpa por erros que ninguém mais lembra, se martiriza por fracassos que não fazem a menor diferença no real funcionamento da vida e deixa de estar no presente. 


Entender a nossa insignificância é uma delícia, sério. Quando aceitamos que somos passageiros, o peso da perfeição vira bobeira. Se o destino final é o mesmo para todos e o esquecimento é inevitável, a única coisa que realmente sobra é o agora.


A verdadeira graça é estar consciente o suficiente para sentir a textura da fronha do nosso travesseiro hoje. É ter a coragem de ser quem você é, sem pedir licença para uma audiência que não está nem aí para você e que, em breve, também será esquecida.


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