Dos muitos vídeos produzidos com inteligência artificial, aqueles que mostram os famosos em suas diferentes idades são os que mais me marcam.
Por vezes começam com eles jovens e, ao longo do vídeo, mostram fase a fase de suas vidas, até o envelhecimento. Quando acontece de forma reversa, me impacta ainda mais. Nesse caso, o vídeo começa com a pessoa já velhinha, como estamos acostumados a vê-la hoje e, pouco a pouco, volta na imagem dela em suas primeiros filmes ou videoclipes.
Há tempos, me apaixono pelo processo do envelhecimento. Faço piada no meu grupo de amigos por eu ser um dos mais novos, mas, se a gente entender o que o declínio do nosso físico é capaz de fazer em nossa alma, cada nova ruga se torna um presente para a gente.
A velhice nos obriga a olhar para dentro porque o lado de fora já não sustenta a identidade que a gente achava que era a nossa.
Nós não somos o nosso corpo.
Nós não somos a nossa aparência.
Nós somos a nossa consciência.
Envelhecer com esse entendimento nos transfere do culto ao corpo e ao rosto para o cultivo da mente e do coração.
Por isso tendemos a m0rrer velhos. Porque é assim que a vida vai nos despindo da vaidade até nos restar aquilo que é essencial.
O essencial está onde o ego não existe.
Graças a tudo que é imposto aqui para a gente, temos a dificuldade de entender - e de aceitar - que é por causa do declínio de tudo isso que é alimentado pela nossa vaidade que conseguimos chegar mais perto do ápice da nossa alma.
Não preciso estar em meus 80 anos para sentir que, a cada novo cabelo branco, a gente sai da busca por ser admirado por coisas banais para a busca por aprender a amar cada vez mais.
Com o envelhecimento, somos forçados a sair da pressa pela conquista para construir a paz exigida para se viver com presença.
É preciso envelhecer para entender que, melhor que o apego ao espelho, é viver a serenidade do conforto de estarmos em nós mesmos.

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