Valores dados


Dizem que o motivo de o filme "Amores Materialistas" ter sido um fiasco no cinema é pela produção ter sido vendida como uma comédia romântica. Ao assistir o filme dois dias atrás, eu o classificaria como uma realidade brutalista.

Você pode tirar suas conclusões ao assisti-lo na HBO Max. De modo geral, o filme é sobre uma casamenteira que, enquanto se dedica a encontrar o par perfeito para seus clientes, vive o conflito entre o amor que sente por um pobre e o namoro - perfeito aos olhos materialistas - com um rico.

O tempo todo o filme fala sobre valores. Quando tratado do ponto de vista de homens e mulheres que buscam um relacionamento, para a maioria, os valores se tratam da altura, profissão, ideal político, peso e quantidade de cabelo na cabeça.

Quando tratado sob quem já está em um namoro, como acontece com a protagonista casamenteira, isso é sobre o quanto somos valorizados pelo outro.

A primeira abordagem é brutal. O filme chega a falar de homens que fazem cirurgias que quebram suas pernas e as reconstroem para ganharem alguns centímetros em altura e serem mais valorizados pelas mulheres.

A segunda, sobre a importância de estarmos com alguém que veja valorize a gente, me encanta mais.

Antes de assistir ao filme, eu já tinha comigo que, o segredo para uma relação funcionar de forma saudável e duradoura está na admiração que temos pelo outro e ele pela gente.

O filme me fez pensar no quanto essa admiração vem dos valores que o outro vê na gente - e é por esses valores que ele nos admira - e, apesar de a produção não entrar nisso, comecei a pensar nos valores que a gente se dedica a criar em nós mesmos.

Pensa. O tempo todo o povo fala sobre fazer cursos e se capacitar de diferentes formas para ganhar mais dinheiro e crescer na profissão. Há um investimento para que isso seja conquistado no ambiente profissional.

Mas, quando se trata de investirmos em nós mesmos para criarmos valores pessoais que podem contribuir diretamente para um relacionamento saudável, o que a gente está realmente fazendo?

Pela minha referência, a maioria das pessoas projeta aquilo que gostaria de ter no outro e sequer olha para si mesmo para considerar o que tem para oferecer para a outra pessoa.

Claro que todo valor assim deve começar a ser criado para nós mesmos primeiro, como: cuidar da saúde, se dedicar a se conhecer, desenrolar nossa espiritualidade - e isso vai, sim, refletir no valor percebido pelo outro.

Mas, quem se dedica a desenvolver a empatia? - valor que está diretamente ligado ao outro.

Quem, de verdade, trabalha para ter mais paciência e, assim, conversar com mais pessoas e ter mais encontros para que, um deles, te traga o amor em um relacionamento?

Quem vai à academia, pesando fortalecer seus braços e pernas para o caso de precisar pegar alguém no colo?

Quem realmente se dedica, todos os dias, a entender a importância de saber amar para, só assim, poder oferecer colo?

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