A coragem de entrar

 

Passei 27 dias em uma viagem. Quase um mês fora de casa, fora do Brasil e de tudo que é o meu dia a dia atualmente. Fui para os Estados Unidos a trabalho - diferente do que o meu pai pensa e conta para os outros.

Na reta final para a volta ao Brasil - engraçado como não consigo escrever "casa", afinal, essa viagem me mostrou o quanto casa é onde quer que eu esteja, escrevi sobre isso domingos atrás - uma amiga disse que admira a minha coragem.

Sem explicar, fiquei pensado, sobre qual coragem ela está se referindo?

Vou arriscar deduzir e usar isso para esse texto conduzir.

Há seis meses com meu namorado, talvez essa seja a principal falta de coragem da maioria das pessoas que recebem o convite de passar um mês fora.

Não vou aguentar de saudade. E se a gente terminar? Isso pode acabar com a nossa relação.

Talvez esses sejam pensamentos que tirem a coragem de alguns. Pra mim, se o meu relacionamento fosse um problema diante do caso de eu poder viver uma experiência como essa, isso só me mostraria o quanto essa relação não seria saudável.

Mas e a sua família?

Continua sendo a minha família, tal como deve ser: com a gente se apoiando quando necessário e com cada um focando na sua paz e realização.

Suas amigas?

Loucas e amadas todos os dias. Mesmo de longe, compartilhamos tudo entre a gente. Meu cuidado com as minhas relações não está só na presença física.

O mesmo para o meu trabalho. Para o que eu não pude estar - por exemplo, para gravar com os clientes - tive quem estivesse. Quem disse que só faria se fosse na minha presença, esperou eu voltar. Se alguém não quisesse esperar, seria só me trocar.

Senti saudade, sim. Mas, muito acima desse desconforto, esteve o presente aconchegante de ficar em mim.

A coragem que minha amiga comentou, vem disso. Quando se tem disposição para nos conhecermos a ponto de resolvermos os conflitos que surgem quando estamos em nós mesmos, o externo é sempre mais fácil de lidar.

Em meio a dias de diversão e ralação, foi uma delicia estar fora e ter mais essa prova de como nos faz bem estarmos dentro.

Falo sobre estarmos dentro de quem somos e não daquilo que, temporariamente, experimentamos.

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