Ama mesmo?


 

Este texto tem um spoiler do filme O Drama que, na minha opinião, não estraga sua experiência de assisti-lo, mas, continuar lendo é por sua conta e risco.

Durante uma degustação de vinhos para a sua festa de casamento, os protagonista do filme (noiva e noivo) conversam com seu casal de melhores amigos (seus padrinhos). Entre os tópicos super descontraídos, surge a brincadeira de cada um contar qual foi a coisa mais horrível que já fez na vida.

O segredo da noiva, que comemora dois anos ao lado do seu companheiro, eles inclusive moram juntos, é: ela planejou um ataque armado em sua escola.

Gente. Eu ri tanto no cinema. Só eu ri.

A partir daí o filme realmente começa. Meu uso dessa história aqui se dá pela pergunta que fiquei ao sair do cinema: até que ponto a gente ama mesmo?

Saber disso muda completamente a visão do noivo sobre sua companheira. Por mais que ela explique e contextualize o que ela vivia aos 15 anos de idade, nada ajuda.

A personagem confessa um segredo por confiar na relação, no amor, confiança e no colo que o noivo oferecia.

Nem todo mundo, aqui entre você e eu, considerou um crime, mas a maioria já teve pensamentos autodestrutivos, desejos inconfessáveis ou um passado que não combina com a foto do Instagram.

Toda semana ouço alguém me falar que queria ter uma pessoa para compartilhar a vida.

Tem certeza que é para compartilhar a vida? Ou o pensamento correto seria ter alguém para refletir a sua vida?

Seria alguém para amar ou para você aprovar?

Cata a caneca e engole essa verdade: a maioria de nós busca um contrato de conveniência, não o encontro de perdas e ganhos que é se relacionar, como tudo na vida.

Queremos alguém que confirme nossas virtudes, não alguém que nos obrigue a encarar nossas cagadas.

Quando você diz que ama, você está amando a pessoa ou a ideia que você fabricou dela? Se uma peça do quebra-cabeça não encaixa no seu senso de moralidade, você joga o jogo fora ou tenta entender o desenho completo?

Viver o amor de verdade exige a coragem de ser um mais amparo e menos julgamento.

É raro quem tem essa disposição. É mais fácil trocar de parceiro do que admitir que a humanidade do outro é, por vezes, estranha, escura e difícil de engolir.

Na minha opinião e experiência, a honestidade é o filtro definitivo. É preferível ser rejeitado por quem você é do que ser adorado por uma máscara que te sufoca.

Se o amor some com um descompasso de expectativas, ele nunca foi amor. Era apenas uma admiração condicional baseada no fato de o outro dar check nas caixinhas de expectativas que você criou para ele.

O amor de verdade começa justamente onde a nossa perfeição termina.




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