Pelo menos uma vez na semana alguém chega com uma situação pesadinha para compartilhar comigo. Conta a tristeza ou a desorientação que sente e pergunta o que eu acho.
Essa dinâmica é parte da sustentação dos quase vinte anos de escrita para o Do Fundo da Caneca. Assunto não falta.
A novidade que tenho percebido nos últimos meses é o quanto a maioria das pessoas não se sente merecedora de coisas boas. É surreal pensar sobre isso e colocar por escrito me deixa ainda mais inconformado.
Quando eu digo: você pode viver algo muito melhor que isso, eu comecei a observar que a pessoa não faz nem ideia do que eu estou falando.
É como se a pessoa tivesse se colocado um teto que fica bem pertinho do topo da cabeça dela, que a impede de expandir.
A real é que esse teto quase sempre não existe e por mais que você fale, explique, converse, mostre exemplos, mostre a si mesmo na superação de algumas coisas, aquela pessoa simplesmente não consegue conceber que algo tão bom seja para ela.
Louco, né? Consegue entender o que estou dizendo?
Eu já escrevi muito sobre a importância da coragem para vivermos tudo o que desejamos e assim nos realizarmos nessa vida, até que percebi que muita gente, além da falta de coragem, não possui o sentimento de ser merecimento.
Passar a se sentir merecedor de coisas fabulosas talvez comece por você esquecer parte de quem você foi até aqui. Sair de tudo que te falaram, de tudo que te fizeram, esquecer tudo que você viu como real e possível.
Trocar a afirmação pela pergunta. "É o que tem para mim." por "O que tem para mim?".
É como romper com seus pensamentos que dizem "isso não é para você", "isso não existe" ou "está bom demais para ser verdade". Mudar isso é como romper com você mesmo.
É entender que você não é a referência que teve. Você é você.
Você é você muito além das coisas que se limita a pensar sobre si mesmo.
Pega sua caneca e vai descobrir isso, a cada gole, a cada sorriso causado por você pensar em tudo que pode ser. Vai lá, você merece.

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