O texto de hoje seria sobre o lançamento do livro Do Fundo da Caneca, mas ontem à noite uma das minhas melhores amigas ficou noiva.
O pedido veio em seu aniversário. De repente, 40. De repente, noiva.
Logo depois de cantar o Parabéns, seu namorado se ajoelhou, ela disse Sim e então se formou uma fila para o novo Parabéns. Agora ao casal.
Assim como o tema do texto de hoje de repente mudou, é uma delícia presenciar como, de repente, a vida também muda com boas surpresas para quem vive com o pensamento livre e o coração aberto.
Quando ela conheceu o então namorado, eu vi claramente o presente que foi o encontro dos dois. Ambos com dois filhos cada, vindos de outros relacionamentos, se cruzaram para formar um amor muito maior do que os que já tinham vivido até então.
Enquanto meu namorado enchia a minha caneca de café nesta manhã, me peguei encantado no pensamento sobre esse casamento.
Viver o amor aos 40 anos é um privilégio que vai muito além da tal dificuldade de encontrar uma boa companhia. Trata-se de viver tudo de forma mais inteira, madura e consciente graças ao entendimento sobre nós mesmos, que construímos até ali.
Amar, amar mesmo, pede qualificação em paciência, dedicação e empatia. Características que não são entregues para a gente em segundos por meio de um pedido ao chat GPT.
Amar, com toda essa base necessária para que o amor aconteça, leva tempo.
Nesse pensamento com minha caneca, me bateu muito forte as limitações que nos colocamos graças a tudo que ouvimos e, por isso, não nos permitimos.
“Casar depois dos 40? Depois de dois casamentos e dois filhos?”.
Póbi de quem se limita pela limitação dos outros.
É preciso entender que o cronograma que tenta nos colocar em um funil de redução de possibilidades com o avanço da idade é apenas mais uma neurose da sociedade que vive doente em sua própria pressa.
O amadurecimento nos dá clareza. A perseverança nos leva ao tempo certo para recebermos aquilo que desejamos.
O envelhecer não atrasa nada. Ele só garante que, quando algo de gostoso chegar, a gente saiba aproveitar.
Do outro lado da cidade, uma outra amiga está começando a descobrir o que é o amor, aos 39 anos, mesmo depois de muitos anos em um outro namoro.
No meio do caminho entre essas duas, uma terceira amiga se abre para novas possibilidades no app de relacionamento e meu conselho para ela foi: tem muita coisa tosca ali, mas também tem coisa boa.
Merecer o amor está em saber esperar e, principalmente, estar inteiramente aberto.
No pensamento que me ocorre do fundo dessa caneca de café de hoje, está a convicção de que a vida não tem hora marcada para as boas surpresas como o amor. Ela tem momentos que nos convidam para que sejam melhor aproveitados quando estamos dispostos e preparados.

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